sexta-feira, 6 de março de 2009

Nova edição de Plurale


06/03/09

Já está circulando a nova edição de Plurale, número 10.

Quem quiser pode conferir também na versão digital. Uma novidade para democratizar e ampliar este debate essencial da Sustentabilidade.

Há várias matérias interessantes (ih, somos suspeitos para falar...) neste número.

O crescimento do mercado de produtos orgânicos é apresentado por Isabel Capaverde em reportagem completa, com belas fotos. Saiba mais também sobre a comida viva com Kashi, nossa guru de Visconde de Mauá. Nicia Ribas mostra o dedicado trabalho do Instituto da Criança, no Rio, dedicado a profissionalização de jovens. Já o jornalista Romildo Guerrante denuncia a ameaça a verdadeiro santuário de espécies - como garças e peixes - em linda região na Barra do Rio Pomba, próxima de Itaocara (RJ).

Confira ainda o emocionante perfil de Luiz Carlos da Costa, civil, funcionário dedicado da ONU que está trabalhando pela paz e reconstrução do Haiti junto a militares e ONGs como a Viva Rio. E aprecie a exuberância natural das bromélias clicadas pela pesquiadora Nara Vasconcellos, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Esta edição também marca a estreia dos colunistas fixos de Plurale, um seleto time de especialistas em Sustentabilidade que se revezam, no site e na revista, debatendo temas atuais. Neste número estão artigos de Antoninho Marmo Trevisan, Bernadete Almeida, Orlando Lima e Rufolf Höhn.

Vários outros artigos também estão disponíveis diariamente no caderno colunistas de Plurale em site.

Patativa de Assaré


06/03/09

O Brasil não conhece o Brasil, já diziam os poetas Aldir Blanc e Maurício Tapajós na linda música "Querelas do Brasil" na voz da genial Elis.

Sem dúvida! E artistas natos e fantásticos como Patativa do Assaré ficam meio esquecidos.... Faria agora 100 anos. O Globo Rural foi lá na cidade dele, Assaré,no agreste do Ceará, e gravou um especial lindo esta semana.

Pena que passa muito cedo e poucos viram. Dá prá puxar pela internet.

Para quem não conhece ou sente saudades, aí vai um dos poemas do mestre da literatura de cordel. Maria Lúcia, querida, este é para você, com carinho.


Aos Poetas Clássicos

Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vitória da(s) comunidade(s)

Sônia Araripe

Na ausência da minha querida Mangueira - prejudicada pela crise financeira, salva ainda por um honroso sexto lugar - e diante da triste colocação do histórico Império Serrano - infelizmente sendo rebaixado - aplaudimos a vitória do Salgueiro.

Que nos perdoem os amantes da Beija Flor de Nilópolis, mas já estava virando monopólio....E o Salgueiro estava há anos sem a vitória, batendo na trave no ano passado.

Vitória da comunidade, das comunidades ali da Tijuca, do Borel, do Salgueiro, dos Macacos e de tooooooda a nação tijucana.

Quem conhece e frequenta a quadra do Salgueiro sabe como a comunidade vibra, canta e acompanha a escola.

Um enredo aparentemente simples - tambor - arrebentou na Avenida! Com a bateria Furiosa (tendo como madrinha a Viviane Araújo aí na foto) e o povo todo aplaudindo.

Teve buracos, alguns probleminhas mesmo. Mas Renato Lage brilhou, encantou.

Como nasci na área, sinto-me, de alguma forma, honrada.

Salgueiro, Salgueiro!

Para quem não acompanhou, veja o samba lindo da escola vermelho e branca. Para ouvir basta clicar aqui e procurar lá em cima, do lado direito, a escola Salgueiro:

SALGUEIRO

“Tambor”


Autores: Moisés Santiago, Paulo Shell, Leandro Costa e Tatiana Leite
Intérprete: Quinho


O som do meu tambor ecoa, ecoa pelo ar!
E faz o meu coração com emoção pulsar!
Invade a alma, alucina
É vida, força e vibração!
Vai meu Salgueiro... Salgueiro
Esquenta o couro da paixão!
Ressoou da natureza, primitiva comunicação!
Da África, dos nossos ancestrais
Dos deuses, nos toques rituais
Nas civilizações cultura
Arte, mito, crença e cura!

Tem batuque, tem magia, tem axé!
O poder que contagia quem tem fé!
Na ginga do corpo, emana alegria
Desperta toda energia

No folclore a herança
No canto, na dança, é festa, é popular
Seu ritmo encanta, envolve, levanta...
E o povo quer dançar!
É de lata, é da comunidade,
Batidas que fascinam
Esperança social, transforma, ensina
Ao mundo deu um toque especial(é show)
É show, é samba, é carnaval!

Vem no tambor da Academia
Que a furiosa bateria vai te arrepiar
Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro,
Salve! O Mestre do Salgueiro!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O mar, misterioso mar

Sônia Araripe

Que me perdoe a turma dissidente. Mas nove em cada 10 foliões elegeram o samba enredo da tradicional Império Serrano como o melhor deste Carnaval. Com um "pequeno" detalhe: é reedição do Carnaval de 1976, tendo havido apenas alteração no título, para adequação à releitura realizada pela Carnavalesca Márcia Lage.

Nosso "grito" momesco com a belíssima letra do samba de Vicente Matos, Dinoel e Veloso. Quem viu, naquela época, Clara Nunes cantando o sucesso nunca mais se esqueceu!



O mar, misterioso mar


Que vem do horizonte

É o berço das sereias

Lendário e fascinante

Olha o canto da sereia

Ialaô, okê, ialoá

Em noite de lua cheia

Ouço a sereia cantar

E o luar sorrindo

Então se encanta

Com a doce melodia

Os madrigais vão despertar

Ela mora no mar
BIS

Ela brinca na areia

No balanço das ondas

A paz ela semeia

Toda corte engalanada

Transformando o mar em flor

Vê o Império enamorado

Chegar à morada do amor

Ogunté, Marabô
BIS

Caiala e Sobá

Oloxum, Inaê

Janaína e Iemanjá

São rainhas do mar

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

É carnaval!


CONVOCAÇÃO GERAL!!!!

Amigos e companheiros: amanhã desfila a Banda da Rua do Mercado!!!

Nosso amigo Carlos Alberto Azevedo, jornalista dos bons, carnavalesco de primeira, é quem manda o aviso geral.

O desfile será em homenagem ao grande Haroldo Costa e a concentração começa na frente do prédio em frente à Bolsa de Valores do Rio, às 17h.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Chico Mendes, 20 anos depois


11/02/09


Thati Pereira

Museu do Meio Ambiente - Jardim Botânico

Série de eventos com temática ambiental em homenagem a um dos maiores símbolos mundiais da luta pela preservação e pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia

O evento, que ocorre em uma área de aproximadamente 400 m2 do Museu do Meio Ambiente (Jardim Botânico), lembra também a passagem dos 20 anos do assassinato de Chico Mendes, ocorrido em 22 de dezembro de 1988 em Xapuri no Acre. "A causa pelo qual ele lutou e morreu, para preservar a Amazônia, não é uma causa de nenhuma pessoa específica ou país. É uma causa global. Sua mensagem precisa ser continuamente disseminada", lembra Elenira Mendes, filha do seringueiro e curadora do projeto. A realização é uma parceria do Instituto Chico Mendes com a Will Marketing Comunicação.
A intenção do evento é desenvolver atividades que promovam conscientização, mudanças de atitudes e ações práticas que objetivem uma relação mais harmônica com a natureza. A organização segue princípios e orientações compromissados com a sustentabilidade, num projeto aliado com atividades e merchandising ético e ambientalmente corretos. Parte do material utilizado será reciclado.
EXPOSIÇÃO
Com curadoria de Elenira Mendes, filha de Chico Mendes, idealização de Alberto Bardawil e João Uchôa, e, cenografia da artista plástica Ana Durães e da Ciclo Design. A exposição "Vinte anos sem Chico Mendes" conta ludicamente a história do seringueiro.
Em outro espaço está o acervo de fotos, que serão projetadas em painéis. Intervenções de Ana Durães ocupam um terceiro plano, transformando a idéia de que a semente plantada pelo ambientalista precisa da participação das pessoas para crescer, tendo como base a sustentabilidade, a informação e a ecologia. Ambientes da casa do seringueiro em Xapuri (Acre) serão retratados conceitualmente num quarto espaço, com a intenção de receber os visitantes demonstrando a simplicidade da vida dos seringueiros. Neste local haverá ainda a projeção de imagens e áudios possibilitando momentos de reflexão sobre a causa ambiental e a missão do líder seringueiro.
DATAS: 10 de fevereiro a 15 de março de 2009
HORÁRIOS: 10 às 17 horas
ENTRADA: Franca
Obs: O museu não abre as 2ª feiras, no dia 15 de fevereiro e durante o Carnaval

Pequenas notáveis


11/02/09



Sônia Araripe

Centenário da Carmem Miranda (que bela figura) e eis que recebemos a ótima notícia do Planalto. Calma, calma! Não se apressem e já imaginem Dr. Ministra Dilma estreando um batom rosinha claro como a maquiadora dela particular está sonhando.

Muita hora nesta calma! Do DF nos chega a nova coluna das grandes jornalistas Jesus Ribeiro e Soraya Kabarite. Pequenas notáveis como a portuguesa de nascimento que arrebatou o mundo. Duas sambistas de primeira, gente do Buraco Quente, as cariocas estão escrevendo sobre..... Carnaval, é claro! No Jornal de Brasília.

Reproduzimos aqui a coluna para vocês conherem as pequenas talentosas.


Lenda das Sereias

De volta à elite das escolas de samba do Rio, a Império Serrano acredita na releitura do enredo "A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar", de 1976, para chegar ao título. Campeã do grupo de acesso em 2008, a escola de Madureira, mantém a carnavalesca Marcia Lage no comando da "nau" verde e branca, mas sem a parceria do marido Renato Lage. "O desafio de fazer o Carnaval da escola sozinha é grande", diz a pé-quente Marcia, que já passou pela escola pela primeira vez em 1982, quando a Império levou para a avenida o campeoníssimo Bum Bum Paticumbum Prugurundum. Ela promete desenvolver o enredo com leveza, sensibilidade e inovações, dando mais espaço às mulheres. Por exemplo: as meninas do Jongo da Serrinha irão puxar o samba junto com o intérprete Nego e ala das Guerreiras, fantasiada de marinheiras, integrará um setor formado somente por filhas e noivas de ritmistas. Já a bateria do Mestre Ávila virá de fuzileiro naval e os ritimistas da bateria prestarão continência ao público. A escola da Serrinha abre os desfiles no domingo de Carnaval, a partir das 21 horas.

Cem vezes notável

Por falar em Império Serrano, Carmen Miranda, o amuleto da escola, completaria hoje 100 anos se viva estivesse. Duas vezes enredo, dois campeonatos para a verde-e-branco da Serrinha, que faz homenagem à Pequena Notável com apresentações nos eventos comemorativos que acontecem no museu que leva o nome da atriz, no Rio. Palestras, filmes, shows, retrospectiva da vida da artista a partir da década de 30 estão em pauta. A Rádio Roquette Pinto, onde Carmen Miranda começou sua carreira, dedicará parte da programação à cantora com um programa jornalístico-musical. A série chega ao fim no próximo domingo, com um Grito de Carnaval, comandado pelo Cordão do Bola Preta. No Sambódromo, Carmen também será lembrada, já que será tema da decoração do camarote da Nova Schin.